Desconfortável. Essa foi minha sensação após Parasita.

Um desconforto poético, nem por isso menos potencialmente prático.

“A minha poesia nasce no espanto” dizia o poeta Ferreira Gullar. “Precisa de alguma coisa que me surpreenda – que eu não tenha descoberto ainda na vida, com minha experiência de vida.”.

Parasita espanta. Choca. Por isso, mobiliza pelo tanto de real e absurdo referentes às vidas na tela.

Assim meio fantasioso meio caricaturesco dá, inclusive, margem a críticas negativas calcadas numa desconexão com a realidade.

Que tal não parasitando opinião alheia formarmos a nossa própria?

Eu, particularmente, aplaudo e indico.

Aliás, já o adotei como uma daquelas películas fadadas a serem vistas e revistas um sem número de vezes por puro exercício poético de organismo muitíssimo vivo.

Valquíria Gesqui Malagoli

mãe de pessoas, bichos, plantas e versos; filha da curiosidade; leitora voraz agora com óculos pra perto; em absolutamente tudo mera intuitiva